O mercado de empréstimos P2P continua a expandir-se em Portugal, oferecendo aos investidores alternativas aos depósitos bancários e ao mercado acionista. Embora a Civislend seja uma referência no financiamento participativo ligado ao setor imobiliário, muitos investidores procuram diversificação através de outras plataformas europeias.
Neste guia analisamos as principais alternativas à Civislend no segmento P2P e P2B, destacando características, rendibilidade e riscos.
1. Civislend: ponto de partida
A Civislend atua principalmente no crowdfunding imobiliário, permitindo financiar projetos de promoção e desenvolvimento.
Características gerais:
- Rentabilidade média: 6 % a 12 % ao ano
- Investimento mínimo acessível
- Projetos ligados ao mercado ibérico
- Estrutura de dívida com garantias imobiliárias
O modelo é direcionado para investidores que procuram exposição ao setor imobiliário com prazos definidos.
2. Mintos: diversificação europeia multiativos
Uma das maiores alternativas europeias é a Mintos.
Pontos-chave:
- Rentabilidade média: 8 % a 14 %
- Investimento mínimo: 50 €
- Mercado secundário
- Regulamentação ao abrigo da MiFID II
A Mintos permite diversificar entre crédito ao consumo, empresarial e instrumentos ligados ao imobiliário. A principal vantagem é a amplitude geográfica e setorial.
Risco principal: dependência dos originadores (loan originators) e do seu desempenho financeiro.
3. Maclear: modelo P2B com garantias reais
A Maclear opera no segmento P2B europeu, financiando empresas com projetos frequentemente apoiados por ativos tangíveis.
Características:
- Rentabilidade alvo: 13 % a 16 %
- Investimento mínimo: 50 €
- Projetos com colateral real
- Fundo de provisão para atrasos temporários
Diferentemente do modelo imobiliário clássico, o foco é o financiamento empresarial com garantias estruturais.
Riscos: risco de crédito da empresa financiada e menor liquidez antes do vencimento.
4. PeerBerry: simplicidade e buyback
A PeerBerry é outra alternativa popular.
- Rentabilidade média: 9 % a 11 %
- Garantia de recompra (buyback)
- Entrada mínima baixa
- Foco em crédito ao consumo e empresarial
É frequentemente escolhida por investidores que procuram simplicidade e previsibilidade.
5. Comparação geral
| Plataforma | Foco | Rentabilidade | Liquidez | Proteção |
| Civislend | Imobiliário | 6–12 % | Média | Garantias imobiliárias |
| Mintos | Multiativos UE | 8–14 % | Alta (mercado secundário) | Buyback / diversificação |
| Maclear | P2B europeu | 13–16 % | Média | Colateral + fundo |
| PeerBerry | Crédito consumo | 9–11 % | Média | Buyback |
Cada plataforma apresenta um equilíbrio distinto entre risco, rendimento e liquidez.
6. Estratégias para investidores portugueses
✔ Diversificação entre plataformas
Distribuir capital por diferentes modelos reduz risco específico.
✔ Combinação de setores
- Imobiliário (Civislend)
- Crédito ao consumo (PeerBerry)
- Financiamento empresarial estruturado (Maclear)
- Multiativos (Mintos)
✔ Limitar exposição total
Muitos investidores mantêm o P2P abaixo de 20 % do portefólio global.
7. Riscos a considerar
- Risco de incumprimento
- Risco de mercado imobiliário
- Risco de originador
- Risco regulatório
- Liquidez limitada em algumas plataformas
Nenhuma destas plataformas oferece garantia estatal sobre o capital investido.
Conclusão
A Civislend continua a ser uma referência no crowdfunding imobiliário para investidores portugueses. No entanto, o mercado P2P europeu oferece alternativas consolidadas como Mintos, PeerBerry e Maclear, cada uma com modelo distinto de proteção e estrutura de rendimento.
Em 2026, a estratégia mais prudente não passa por escolher apenas uma plataforma, mas por construir um portefólio diversificado, combinando diferentes geografias, setores e modelos de proteção para otimizar o equilíbrio entre rentabilidade e risco.